4.11.16

perversão

começou quando eu era pequena. é claro.
discreto, astuto. o primeiro toque foi suave, eu me lembro - em sua samba canção de seda azul. você disse 'olha como esse tecido é gostoso. põe a mãozinha'. durante o café da manhã na sua casa. eu ia pra escola, estava de uniforme já. talvez isso tenha criado mais interesse ainda em você?
o seguinte, não me lembro qual foi. talvez o do sofá? estava brincando de esconde-esconde com meus primos na casa da vovó. você achou conveniente se esconder atrás de mim no sofá azul de couro. eu devia ter uns 7 anos ali.
às vezes, você me chamava e me obrigava a olhar. abria o zíper. me mostrava. uma vez, me fez ir até o banheiro com você e meu primo, enquanto você tirava a roupa dele, constrangido, e a sua, para que eu pudesse ver.
nesse dia, eu quase morri engasgada com a comida. hoje penso que talvez eu tenha feito de propósito?
sei de tantas outras vezes. você me fazendo assistir enquanto via fotos de outras crianças. sem roupa. fazendo o que crianças não devem fazer, muito menos serem observadas. 
quando ela se separou de você, eu agradeci em silêncio. por algum motivo, ela quis me contar pessoalmente. será que ela sabia?

esses tempos, vi uma foto sua pois o facebook me sugeriu adicionar o seu perfil. fui atrás. minha curiosidade fez com que eu quisesse saber da sua vida e descobri que você tem outra mulher. me preocupei. lamentei. meu coração gritou: moça, teu marido é pedófilo. 

mas minha voz não veio. você me calou novamente, como tantas vezes antes.

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