5.7.15

trying to light up the dark

ele me deixou nesse gancho invisível. um lugar comum, confortável, ainda aquecido. depois de falar tanto de comodismo, acabou me colocando em um sofá macio e disse "fica aí que volto logo". quando falei sobre os 'papéis do divórcio', alterou o tom de voz. eu nunca soube ficar sentada por muito tempo. sou uma pessoa agitada. preciso caminhar.

dizem que esperança é a última coisa que morre, né? tá tudo morrendo antes dela e não paro. é como aquelas montanhas russas que voltam pelo mesmo caminho. me vejo toda hora chegando no mesmo ponto e dando voltas que não acabam. ad infinitum.

piso em ovos. acordo sem saber se vou sobreviver mais um dia. steve tyler descreveu muito sabiamente isso com there's a hole in my soul. busco compensar e às vezes até consigo. não importa quantas garrafas eu beba, dormir se mostra uma tarefa árdua. sinto tudo com tanta força que isso acaba consumindo toda a minha energia.

ele diz que não há regras, mas eu as vejo em todos os lugares.

ninguém entendeu o meu silêncio nessas semanas. mas não era real. tenho passado pelos estágios de luto, sendo o primeiro deles a negação. falar sobre aquilo tornaria tudo verdade e eu não era capaz. 

e ele faz tão pouco caso dele mesmo, que não compreendo. quem é o problema? por que tanto medo? por que tanta mágoa?

não se trata de ódio ou de orgulho. não dessa vez. nesse tempo, passei a me sentir reduzida. e preciso ser proporcional de novo. me enfiei nesse buraco e só consigo sair daqui se for sozinha.


1  +:

neutron disse...

"me enfiei nesse buraco e só consigo sair daqui se for sozinha."

caraleo. você traduziu tão bem uma coisa que tenho sentido há tempos.

*abraça*

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