3.7.14

ficou difícil

A gente encheu a cara no boteco da esquina. Em um segundo e várias cervejas depois, você falou baixinho "vem" e eu fui. Entrei no seu carro que cheirava mal e estava cheio de poeira, e não relaxei. Mexi no porta-luvas, no quebra-sol e no rádio. Mudei todas as estações que estavam salvas na memória e enfiei todos os documentos que eu julguei importantes dentro na minha bolsa. Que você perdesse os cabelos procurando por eles depois. Você me disse algo sobre uma outra garota e eu nem dei bola. Quis me impressionar, falou da sua vida, de como era especial. Não me importei. Pra mim, você não era nada. Apesar da prepotência, da segurança na voz e do ar vivido. Você era pequeno demais, apesar de ter se gabado dos seus 1,89. Minúsculo.

Você me levou pra um motel barato e eu tirei logo a roupa pra não ter que ouvir mais nenhuma palavra sua. Só as sacanas. Queria que a noite acabasse logo, que o efeito do álcool não passasse nunca e que você fosse bom de cama.

Pela primeira vez, eu quis correr na direção contrária. Perdi o foco, perdi o fôlego e não senti nada além de distância. Nada além desse abismo que eu logo tratei de cavar.

E eu repito, agora: é uma pena, mas você não vale a pena. Não vale uma fisgada dessa dor.

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