13.5.14

quando todas as folhas não são suficientes

qualquer música que não me faça lembrar dos seus cílios roçando na minha bochecha. qualquer filme que me faça esquecer do seu corpo na minha cama. 

qualquer coisa que me prenda à ideia de você ainda estar aqui.
qualquer coisa que faça com que eu não sinta punhaladas no peito.

tentei de tudo pra ver se parava de doer, mas doeu mais ainda, é claro.

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olhei pra cima e não vi nada. não procurando por deus, é claro - deus me livre! me esforcei e tentei focar nas nuvens. nada. nenhuma resposta. absoluto silêncio no oco da mente. e assim, quando já não havia nenhuma esperança em mim, sua mão veio me buscar. chegou por trás e me tocou de leve no ombro, pra não me assustar - o que seria impossível, porque a sua presença só faz me confortar.

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fazia tanto tempo que eu queria estar por perto. não necessariamente próxima, sabíamos que isso doeria até nos dias mais quentes. mas por ali.

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eu tive tanta vontade de me deixar levar por você e, ao mesmo tempo, vontade nenhuma de perder a segurança de estar presa ao chão.

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nos encontramos no meio do mundo e nos pertencemos naquele mesmo minuto.

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a bagunça é física. pisco meus olhos cinquenta vezes seguidas a fim de apagar e afastar tudo aquilo. fracasso. o desconforto me aperta, preenchendo todos os espaços. perco toda a concentração de cinco minutos atrás. por que insisto?

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tentei de tudo.
o café, as drogas e a música.
tentei perseverar e tentei desistir.
falhei em tudo.

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encho folhas e mais folhas com os meus escritos e de dentro de mim, nada sai. nada me deixa. nem uma vírgula.

1  +:

Milla Pupo disse...

O desapego que é tão disseminado por aí não é exatamente o material, mas o desapego de sentimentos que nos faz mal. Espero que os escritos saiam de ti, que desapeguem e te deixem :)

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