9.10.13

essa flor perene

Eu me lembro de ser uma criança triste. Eu me lembro de pensar em suicídio, no mar, nas pedras, nos prédios, nas escadas, nos banheiros. Eu me lembro de me sentir sozinha, de querer estar sozinha. Eu me lembro da escuridão, de todas as milhares de lágrimas, da solidão. Eu me lembro de não me entender, de não ser compreendida, de não me encaixar e não pertencer. Eu me lembro das conversas com os brinquedos, dos desabafos pros travesseiros, do medo que me enfiava embaixo dos cobertores. Eu me lembro dos sonhos terríveis, de todas as palavras não ditas, dos sofás e dos desesperos. Eu me lembro da porta meio aberta, das sombras e das presenças. 

Eu não sabia o que me faltava.

Até que encontrei você. E todos os medos, todas as sombras, todos os choros, todas as metades, todos os prédios, todas as pedras, todos os quartos escuros, todas as frases perdidas e todos os gritos sumiram. Demorou um pouco. Mas hoje me sinto completa como nunca havia me sentido. Desde adolescente, desde criança, desde bebê. Nunca fui inteira. Sempre fui meia sua. 

Acho que isso é amor.

2  +:

Flá Costa* disse...

Aline... uau! Com certeza em uma semana que o mundo inteiro exalta as qualidades do "ser criança" é uma surpresa boa - ainda que triste - ler o seu primeiro parágrafo.
Prazer melhor ainda foi ser arrebatada pelo terceiro parágrafo. "Sempre fui meia sua". Dá vontade até de escrever para alguém.

Suzi (Vulgo, Emilie) disse...

É amor, sim. Mas eu nunca acho que a gente se sente inteiro com o outro. O vazio e a confusão existencial tem veio na gente mesmo (nunca depende do outro). Enfim, achei romântico <3
:::: {Emilie Escreve} | @emilie_escreve

Postar um comentário