22.5.13

ideas are the bombs in your mind

Te faço um café e deixo que caia no esquecimento. Você levanta, fuma, toma sua vitamina, me dá um beijinho e vai embora. Nem dá bola pro café quente ou pro pão com manteiga que eu deixei pronto pra você. Ou pra pizza congelada na geladeira que você tanto gosta e eu comprei só pra botar ela lá, fria e dura, seu jeito preferido de comer pizza. Eu me apoio na bancada da cozinha e nem choro mais, já faz alguns meses. Fico ensaiando sozinha como seria arrumar as malas. Lembrando de quando a gente deitava no chão do quarto e ria, ria e ria, até o dia ficar claro e irmos dormir enroscados. Eu, sempre com frio. Você, sempre quente. A pele do seu abdômen mais ou menos definido roçando na pele sensível das minhas costas. Eu arrepiava e sonhava com tulipas, um jardim e crianças louras correndo pra lá e pra cá e me deixando mais maluca ainda. A perfeita imagem da ignorância. Afinal, só os ignorantes é que são felizes. Mas você volta pra casa tarde da noite, cansado e com as mãos cheirando a talco. Senta no sofá, come um macarrão velho e me conta sobre seu dia. Meu deslumbre recomeça. Meu sonho partido. Partilha informações sobre o novo funcionário da firma, a idade e o nome da esposa, mas esquece que aquele era o nosso dia. Deita ao meu lado na cama, me dá as costas e dorme. Esquece do boa noite, tamanha a agitação da sua rotina. E eu fico. Porque amar é promessa. 

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Nina disse...

Uma promessa que não se cumpre, entretanto, não é motivo de felicidade e só alimenta a angústia. Prefiro meu egocentrismo, pois nenhum sofrimento passa por cima de meu amor próprio.
Abraços.

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