26.5.13

hell

esses abraços sem alma de manhãzinha, quando não é nem noite nem dia.

--

seus olhos, esvaziados por excessos, mergulham nos meus e eu busco encontrar minhas lágrimas, mas nada vejo.

--

"a vida inteira a gente vai sempre se ver".

--

você voltava de viagem e queria me ver, estava atrasado, eram duas horas da manhã, mas eu não sentia frio.

--

e todas aquelas noites ao seu lado, a sua cama, com a qual me habituara a ponto de conseguir nela sonhar, como se fosse a minha.

--

agora sei que você lia para as outras também, e foi por isso que acabou.

--

vamos morrer cada um para o seu lado.

--

e quando eu falo da gente no passado, as pessoas riem na minha cara... porque eu digo sempre "nós". elas têm razão.

--

hoje não sou capaz de representar meu papel no palco iluminado do meu mundo.

--

estou estupidificada, meus olhos estão abertos e não vejo nada.

--

volto à superfície. fico sem fôlego, tenho a impressão de ter recebido um soco no meio dos olhos, uma dor atroz toma conta de mim totalmente, é uma dor que nenhuma palavra, que gesto algum pode consolar e a qual faz com que as lágrimas corram nas minhas faces, são lágrimas amargas, as verdadeiras, cujo sentido a gente se esqueceu de tanto desperdiçá-las por banalidades.

--

as provocações nos vergam, mas nunca nos derrubam. a vida continua.

--

enquanto houver um raio de sol na avenue montaigne, continuarei tendo vontade de acreditar na felicidade...

--

foi mais ou menos por essa época que comecei a pressentir que a vida era absurda, o que me foi confirmado por um sem-número de leituras, que eu estava cutucando o mal-estar, que a pergunta "de que adianta?" aparecia cada vez mais, tornando-se intolerável, essas diversas corrupções do ser humano no qual queria acreditar, o buraco negro do futuro que levaria inexoravelmente à morte, e o buraco negro de verdade, e outras reflexões do gênero contra as quais eu nem sequer procurava lutar.

--

ignoro todo esse desespero que urra, contra o qual nada posso.

--

eu não amo ninguém e não faço bulhufas, não quero nem tentar me distrair, ou esconder a verdade, a vida é uma sacanagem de merda, e cada segundo de lucidez é um suplício.

--

ele me encara, e seu olhar me perturba.

--

a gente cessa de amar.

--

é só a gente que vale a pena.

--

ele me faz sorrir. começo então a dançar na rua, a saltitar, não sinto frio, meu coração está batendo a mil, e isto nunca me aconteceu.

--

nada me importa, ele pode me levar para onde quiser.

--

nós estávamos sozinhos no mundo e eu estava fascinada.

--

uma lágrima rola na minha face, seguida de uma outra. não consigo mais me segurar, é o excesso de emoções contraditórias que ferviam dentro de mim e que transborda sem que eu possa fazer alguma coisa. vivi demais cedo demais, e por demais solitária. eu não mereço que cuidem de mim. fico sem entender. não preciso de ninguém.

--

a gente procura o amor, acha que o encontrou. depois vem a queda. de muito alto. é melhor cair do que ficar sempre no chão?

--

não sei mais por que estava chorando. já não choro. já não mesmo? as lágrimas continuam a correr, mas porque não posso contê-las. sinto-me tão bem. a esperança renasce do fundo do abismo. re-deslumbrada. quiçá essas lágrimas sejam de alegria... eu não sei.

--

o que dizer sobre a felicidade? nada. isso enche o saco de todo mundo. a felicidade de uns faz a infelicidade dos outros.

--

viver de amor. e achar que isso basta. mas não bastava. nós éramos a tábua de salvação um do outro. o parapeito que evitava o abismo.

--

surpreendi a mim mesma sentindo-me feliz.

--

sem que ninguém perceba que estou prestes a me desfazer.

--

eu me degrado com alegria e estou fazendo com que ele me acompanhe na minha queda.

--

a gente não respeita nada, nem ninguém, nem sequer nós mesmos.

--

busco nos meus olhos o brilho que me é familiar. ele inexiste.

--

nós representamos a comédia da vida, mas estamos mais mortos do que vivos.

--

o dia parece que vai amanhecer. mas é a noite para sempre.

--

sua voz que tanto amei marca o ritmo do desmoronamento completo de minhas últimas esperanças. uma só palavra, um único gesto da parte dele, e eu teria me aberto, confessado tudo a ele, a razão da minha fuga, meu amor inabalável.

--

tenho medo de enfrentar o mundo sem ele ao meu lado.

--

ele não percebe que sou eu quem ele corneia com ela.

--

tenho medo da indiferença no olhar dele.

--

eu te amo, isso não é nada, mas é tudo, eu nunca disse isso pra ele.

--

são lembranças cuja simplicidade me dói até agora.

--

esperando. porque é só isso que você pode fazer, esperar. parar de esperar, isso seria dizer que acabou.

--

eu a amo... o tempo todo, sempre, a ponto de morrer. eu a amo adormecida ou deprimida, eu a amo cheirada, embrutecida, degradada. ela conseguia, não sei como, permanecer tão pura nas situações as mais degradantes, que me dava vontade de me ajoelhar na frente dela.

--

o menor gesto torna-se sem graça. os olhos nivelados pelo chão. a tudo indiferente.

--

em algum lugar alguém vive sem mim.

--

e por que, quando a gente cessa de ser amado, a gente também não ama mais nada?

--

e a esperança invasora, persistente, agachada no canto da alma, que a gente reprime sem conseguir, sem sucesso, que a gente execra, e que vai diminuindo por conta própria, até o último segundo, até o adeus.

--

tenho a sensação de que, se o perco por um instante, vou perdê-lo para sempre.

--

sou sua, e sou feliz.

--

nós cheiramos tantas vezes juntos. de certa forma, é um pouco como se estivesse ao seu lado.

--

grito a atroz realidade dessa vida de merda que dá e toma.

--

nós inventamos a luz para negar a escuridão.

--

é angustiante estar diante do infinito.

--

a escuridão não está fora de você, a escuridão está em você.

--

antes, eu amava a vida, mesmo sabendo tudo o que já sabia, uma vez que, na imensidão do vazio, lá estava ele sorrindo.

--

tenho dó de mim mesma quando percebo que fito fixamente a entrada do quadrado esperando vê-lo entrar. sei que ele não virá, mas não consigo impedir a mim mesma de esperá-lo.

--

a humanidade sofre. e eu sofro com ela.

0  +:

Postar um comentário