4.5.13

a tornado flew around my room before you came, excuse the mess it made, it usually doesn't rain

Um livro na bolsa e um cigarro na boca. Lábios e unhas pintados de vermelho. Lá fora, brisa fresca de outono. Ali, no centro da roda, entre os risos frouxos, reações exageradas e toques nos braços, a auto-exibição de cada um. Ela, que queria parecer alegre, relaxada e inofensiva na presença dele. Ele, prepotente, superior, genial, pensando nela pelada. Egoístas, os dois. Preocupados com suas próprias vidas, fingindo se importar, sabendo que nem mesmo ousariam chorar no funeral um do outro. Ela ainda se lembrava da insegurança que sentia ao lado dele, ele ainda se lembrava da bostinha que ela costumava ser. Medíocres. Letargia exalada no ambiente. Ela iria embora e choraria. Talvez no ônibus, talvez em casa, talvez chapada. Ele iria embora e se sentiria o máximo. Depois chegaria em casa, e dormiria encolhido e agarrado, solitário, com o seu travesseiro. A eterna busca pelo preenchimento de nossos buracos. Dos vazios que fingimos impermanentes. Tudo aquilo que queríamos mudar, mas fica manchado. A história vista sob outra realidade, circunstâncias e tempo. Horas de palavras repensadas e desfeitas. Passaram tantos dias em diálogo, que acabaram-se em monólogos. Individuais, separados por questões simples de como impressionar alguém com tão pouco. 

Ela sabia que ele entendia. Ele entenderia. Ele entende, agora mesmo. Com a mente derretendo, diante da presença dela e das não-manifestações que deveriam ter acontecido. Que cada um queria que acontecessem. Ela queria, tanto, mas desafiaria o rumo, o destino, ou seja lá como deveria ser chamado. Ele já se arriscara uma vez, pra nunca mais. Precisava ser permanente. Pela sua sanidade. Ele repetia mentalmente.

Talvez desse certo.

1  +:

Marcel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

Postar um comentário