2.10.12

concrete floors

peito comprimido, ato falho, música para o silêncio. ousava dizer "acalenta esse coração, menino, que o frio logo passa e a brisa de verão já vem aí". e fingia ignorar o peso e a culpa que a alegria pode trazer consigo. seu medo era sabido, seu buraco era permanente e sua memória era apenas volume. ficava ali o arquivo morto, tornando tudo pequeno, lento, embolado. e o vento era bom, chacoalhava os cabelos e os pensamentos. mas vinha a chuva forte e levava embora consigo todas as pétalas, folhas e frutos. rasgava as coberturas das casas construídas com cuidado, tempo e afeto. e deixava as marcas da sua presença por onde passava. indo embora e se fazendo presente.

4  +:

Nina disse...

Sempre o pretérito imperfeito interferindo no agora, não é mesmo?
Abraços.

Flá Costa * disse...

você toda dedicada a fazer o texto perfeito ainda que incosciente, sem querer, involuntariamente.

conseguiu.

é show.

beijoca

tenhoumaloucadentrodemim disse...

Eu leio da primeira a última palavra com uma certa no peito, uma espécie de tristeza melancólica tão grande...
Gostei muito!

Jéssica Amâncio disse...

e nada é concreto diante da chuva. senti desmoronar.

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