9.11.11

pelo inferno e céu de todo dia

não dormia há dias e não sabia o porquê. era aquele sufoco, peso morto na terra. e a sensação de que a vida ia se desmanchando devagarinho à sua volta. apesar de tudo. apesar dos sorrisos. apesar dos dias bons. apesar de. porque quando tudo ia bem demais do lado de fora, nada ia bem por dentro.

estourou. "uma voz que fica calada muito tempo, quando vai falar, grita". e aquele, sempre aquele, estava lá. aquele, que há minutos antes, ela xingava de frio, insensível, apático. ele ouviu, impassível, até o final. quando ela terminou, vermelha, com o rosto manchado de lágrimas, olhando pra parede branca, ele apenas perguntou: melhorou?

deitaram. disse que ela era linda e, o menino-que-nunca-chora, chorou. chorou baixinho, repetindo o quanto ela era ótima. o quanto ela era especial.

e dormiram abraçados. porque o amor esquenta, o amor acalenta. e o amor dele era bom. bom demais.

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