12.9.11

ela parece cansada, mas sorri

não que ele não pensasse com o coração. pensava, mas pensava além da conta. mais do que seus batimentos poderiam aguentar. mais do que as pernas poderiam sustentar. era um desvairado, débil, demente. pensando nela todo o tempo. olhando para uma loja de lustres e pensando nela. olhando para a cerveja gelada e pensando nela. andando na rua, penteando o cabelo, colocando a meia, comendo arroz e feijão, pagando uma conta. pensando nela. declarando-se insano.
ele não sabia, mas ela sonhava com ele. sem definir seu rosto, acordando com outro ao lado, dormindo com alguém novo. despertava com um vazio, querendo despachar o desconhecido que restava nos seus lençóis sujos da noite anterior. cruzava com ele todos os dias; indo para o trabalho, voltando das aulas, passando em frente ao mercado, dando um alô para o padeiro. sem nunca ver. sem nunca olhar em volta. sem nunca notá-lo.

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Santiago disse...

"será triste o fim..."

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