30.9.11

e agora o amanhã, cadê?

nada disso era realmente meu. era tudo tão seu; tudo tão impregnado do seu eu obtuso. e larguei pra lá. não porque não quisesse abraçar todas as suas coisas e carregá-las comigo, mas porque já não tinha mais forças para comandar meus braços. meus olhos inchados não sustentavam mais o peso da água que cismava em escorrer. e o desespero me enlaçava porque eu queria aquilo, precisava daquilo. como prosseguir sem as suas coisas? suas roupas, as camisetas gastas, as fotos velhas, os bilhetes de cinema, o frasco de perfume antigo. até as meias furadas, meu deus. e a agonia ficava ali, me rodeando, me impedindo de avançar. as camisetas tinham sido novas um dia, as fotos exibiam sorrisos, o cinema lembrava o colo, o perfume trazia à memória o cheiro da pele do pescoço, as meias já haviam esquentado os pés dos dois. foi difícil deixar. mas eu sabia que já passara da hora de ir. para onde, exatamente, eu nunca soube. mas sabia que era em frente, não mais para trás. aquele presente não existia mais, era apenas passado. o passado que ainda tentava preencher os nossos dias e encher os nossos lábios de alegria. mas que não tinha mais tal força. e fui.

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