2.6.11

marejada

me identifico com esse tempo. está sol mas faz frio. o vento me atinge e me reconhece. iluminada e possessa. parada no ponto de ônibus, deixei uma gota transbordar. olhava sem enxergar a movimentação que passava por mim sem me marcar. nuvens na visão. foi talvez a percepção de que pareço muito mais com você do que eu supunha. mais uma alma que passa a vida procurando, procurando, procurando. sem encontrar. meio frustrada, meio alegre, meio fodida, meio ausente, meio sem querer descobrir, em uma esquina qualquer, aquilo que se busca.

vida rodeada de fantasmas e poeira. falta o doce, o deslumbramento, o toque e a pele, a hesitação e o cuidado. se a urgência fosse muita, teria compreensão. mas a urgência é demais. o silêncio ensurdece e atrofia o que precisa ser extravasado. cala a dor. impacifica a loucura, o impulso, os olhos, a tentação. é o broto que nasce e não floresce. a podridão da não certeza, do evitar, do choque. foi a falta, a submissão, o controle, o suor na palma das mãos.

sou eu me derramando por aí. me agredindo com as suas palavras. arrebentada. assistindo você ir. e descobrindo que me importo.

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Santiago disse...

"por mais que você corra, aquilo que você tenta abafar acaba voltando com mais força e intensidade do que antes."

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