28.1.10

please understand, this isn't just goodbye

Juntou as suas coisas, tomou todas as decisões que já deveria ter tomado há tempos, mas não saiu. Parou em frente ao porta-retratos com as malas na mão, e ficou alguns minutos observando aquela foto dos dois juntos. Tão bonita. Eles ali, se olhando, como se houvesse uma ligação invisível entre os dois (todos sabem que havia, de fato, algo que os mantinha unidos, uma espécie de fita adesiva que ninguém conseguia enxergar). Colocou as malas em cima da cama, pegou algum dinheiro e saiu. Deixou o celular em casa. Não queria gente atrás dela. Pegou um ônibus. Sentou-se na janela e começou a se afogar em pensamentos. Sabia que não deveria acabar assim. Quase perdeu o ponto. Desceu, andou alguns metros, uma lágrima rolou. Aquela que, até então, ela mantinha trancafiada dentro do peito. Colheu uma flor amarela no jardim de uma casa antiga. Continuou andando, e mais lágrimas escorreram. Chegara à casa dos pais dele. O coração disparou. Colocou o dedo levemente na campainha, e ouviu o “dim-dom”. A Maria veio abrir a porta. Sentiu tanto amor pela Maria, como nunca antes. Abraçou-a e limpou o rosto. Maria era a senhora que trabalhava na casa. Cuidara dele desde que era bebê. Subiu para o quarto. Lá estava ele. Não disse “oi” e nem o olhou no rosto. Sentou na cama, e começou a encarar a parede como se a culpa fosse toda do pobre pedaço de tinta que estava lá. Chorou como uma criança. Ele a abraçou pela cintura, e deitaram-se. E assim permaneceram. Foram segundos que duraram horas. Ela se virou, tirou a flor amassada e já morta do bolso, e deu para ele. Pediu um beijo. “Talvez o último”, pensou. Mas não queria. Foi um beijo pesado. Carregado de sentimento, de culpa, de amor, de dor, com lágrimas escorrendo dos olhos de ambos. Desejou a morte tão intensamente, que talvez uma parte dela tenha mesmo morrido naquele momento. Sabia que não haveria sentido sem ele. Tanto tempo havia se passado... Mal se lembrava da vida sem os sorrisos dele. A ferida ardeu no seu peito. Levou as mãos à boca, e começou a soluçar compulsivamente. O que seria dela sem ele? Não comeria mais. Não sairia, não riria, não amaria mais ninguém além daquele ser que respirava em seu pescoço. Levantou-se quase que num pulo. Ele estava ali, perante ela, chorando também. Aquilo tudo não era necessário. Deu-lhe o abraço mais forte possível. Entrelaçou-o com os braços finos e agarrou aquela oportunidade com tudo que podia.

No fundo, ela sabia. Aquele não era o grande amor da vida dela. Ela só queria gostar de alguém. E podia ser qualquer um. Até mesmo ele, que não correspondia às suas dores, e que não a amava com tudo o que podia. Mas era necessário deixar que os sentimentos fluíssem. Era preciso viver aquilo. Com a maior intensidade. De todo o coração.

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