7.4.17

poeminho

Ele te fere e você não fala
Ele te trai e você não escapa
Ele te pede e você se casa

Ele te enxota e você invade
Vai mas volta porque tem saudade
Ele te liga de noite e você aplaude

Ele chega bêbado e você reclama
Ele te bate na cara e você se engana
Ele te dá uma rosa e você se encanta

E mesmo com tanta lágrima que escorre
Entre noites em claro aturando o porre
Ele vive, e você morre.


22.3.17

bebo como se tivesse sido deixada por você.

16.3.17

rotina

em 2014:

Olho pra janela, trancada no meu cubículo de concreto, e enxergo o sol. Vejo os raios refletindo nos vidros espelhados dos prédios comerciais, o trânsito na marginal, as pessoas indo para lá e para cá, apressadas, lotando os restaurantes durante a sua uma hora de almoço. Comendo sem vontade, conversando cabisbaixas. Não percebo um sorriso ou um reencontro. Trabalhos que não dignificam.

11.3.17

de você, eu roubei o nome
mas você bem que mereceu
porque roubou a minha paz
e nunca mais me devolveu

*

eu me imagino em cinco anos
uma vida toda diferente
e seu nome ainda ali
afinal, ele é meu
porque se depois de quase dez anos
ainda não passou,
não acredito mais que um dia passará

*

as mil órbitas que visitamos
e que ficaram grudadas em mim
porque eu sempre tive medo
de usar pó e nunca mais largar
e você veio
pior ainda, como uma pedra
talvez de crack

*

as canções que ouço hoje
algumas nem foram divididas
mas você está lá
em forma de letra triste
em versos baratos
em frases sem sentido
em formato de dor