4.4.18

e não há mais nada a refutar

tenho estado obcecada com essa ideia. não decido nada, ou sou impulsiva o tempo todo. não é básico. também não soa intencional. e quando dizem que sou louca, às vezes penso entender. tudo depende de um contexto. naquele, nem sei o que digo. algumas coisas soam ofensivas, mas saem sem querer. digo que esse é meu jeitinho. não desapego. a vontade continua e flui, intensa. pensamento irracional, sei nem o que dizer. dá pra delimitar desejo? pudera eu dominá-lo. aí penso se estou errada o tempo todo. se bem que, às vezes, nem quero. e eu ouso exigir? pois é. ledo engano, poderiam dizer. sempre tive a certeza do coração bater, e agora nem isso mais. parece que morreu. as notícias saem por aí a informar o óbito, e a mim, tudo soa estranho. de repente, vem uma liberdade. no meio das coisas todas. porque se já não havia espaço antes, imagine o que há agora. olho pra baixo e não me contento. tá tudo amarrado, preso, contido. quero deixar o peito respirar. os peitos. o órgão. a pele. energia que vai e que volta, o contato direto com o tecido. e eu me pego, me toco, me sinto. o corpo todo desenhado, sem marcas de aperto, de dor. soa natural. e se esvazia. algo restringe, mesmo que não seja aquilo. poderia ser aquela tal atitude, a palavra mal(-)dita. você chama de falta de coragem? eu ia dizer que chamo de qualquer outra coisa, mas é, eu também. 

2.3.18

she's out of her mind

nas últimas sextas-feiras do mês, penso nele.
em todas as outras, também.

1.2.18

i had so much sorrow inside

é como estar louca sem ser
por dentro, coisa morta
por fora, pulsante, agressiva, exacerbada
não é possível falar sobre
pois não há o que dizer
se não entendo, se disfarço, se fujo
se me esquivo, mesmo sem saber

me vejo fraca, pequenina
como se tivesse gastado todas as forças em um batalha contínua
finjo que leio, finjo que assisto, finjo que presto atenção
enquanto em mim, nada gruda, nada fica
tudo parece distante e desagradável

estar só tem sido a escolha mais sábia
enquanto o mundo me incomoda e me fere
enquanto eu revido o tempo todo, sem titubear
nunca antes esse título fez tanto sentido
'não hesite em odiar'

eu queria poder dormir e não sonhar nunca
memória gasta de uma mente que não desapega
qual desses vazios poderia ser maior?
pergunta tola
como se eu tivesse vivido tudo errado

nem cantar eu sei mais
parece que sumiram todas as letras e batidas
a energia
e eu não sei o que é
pior ainda;

não precisa ser nada e mesmo assim pode ser tudo.

13.1.18

dirty little secret

de manhã, abro os olhos e não consigo me levantar. lembro da nossa conversa fiada de madrugada, depois de chegarmos em nossas respectivas casas com várias cervejas na cabeça e você, instintivamente, me mandar uma mensagem puxando um assunto qualquer só para que nossa conexão não acabasse nunca. de imediato, meus dedos escorregam para baixo do lençol e é sem surpresa nenhuma que percebo que já estou toda molhada. me preencho, penso que sou tua, minhas coxas se lambuzam.

(a vontade tem me deixado maluca, é verdade.)

tiro uma foto da cama manchada de prazer e te envio dizendo que, agora sim, depois de ter estado com você em ideia entre as minhas pernas, meu dia finalmente começou.