22.3.17

bebo como se tivesse sido deixada por você.

16.3.17

rotina

em 2014:

Olho pra janela, trancada no meu cubículo de concreto, e enxergo o sol. Vejo os raios refletindo nos vidros espelhados dos prédios comerciais, o trânsito na marginal, as pessoas indo para lá e para cá, apressadas, lotando os restaurantes durante a sua uma hora de almoço. Comendo sem vontade, conversando cabisbaixas. Não percebo um sorriso ou um reencontro. Trabalhos que não dignificam.

11.3.17

de você, eu roubei o nome
mas você bem que mereceu
porque roubou a minha paz
e nunca mais me devolveu

*

eu me imagino em cinco anos
uma vida toda diferente
e seu nome ainda ali
afinal, ele é meu
porque se depois de quase dez anos
ainda não passou,
não acredito mais que um dia passará

*

as mil órbitas que visitamos
e que ficaram grudadas em mim
porque eu sempre tive medo
de usar pó e nunca mais largar
e você veio
pior ainda, como uma pedra
talvez de crack

*

as canções que ouço hoje
algumas nem foram divididas
mas você está lá
em forma de letra triste
em versos baratos
em frases sem sentido
em formato de dor

30.11.16

eu sou problema meu

Acordei naquele dia e não me vi. Procurei embaixo da cama, dentro do armário, na bagunça da escrivaninha. Chequei as gavetas, olhei nos cantos, até mesmo no bolso da calça do dia anterior eu busquei. Em algum momento entre aquelas horas em que eu dormi, eu me fui. Pra longe, pra sempre, não sei. 

Demorei tempo demais pra perceber que o que tinha ficado em mim é que era eu de verdade.

Há algum tempo já que me reconheço mutável. Que não me vejo como um pedaço de algo, uma parte única ou sendo onipresente em mim mesma. Não. Sou todos os lados, todos os buracos, tudo que eu puder ser na infinitude de meus limites.