1.2.18

i had so much sorrow inside

é como estar louca sem ser
por dentro, coisa morta
por fora, pulsante, agressiva, exacerbada
não é possível falar sobre
pois não há o que dizer
se não entendo, se disfarço, se fujo
se me esquivo, mesmo sem saber

me vejo fraca, pequenina
como se tivesse gastado todas as forças em um batalha contínua
finjo que leio, finjo que assisto, finjo que presto atenção
enquanto em mim, nada gruda, nada fica
tudo parece distante e desagradável

estar só tem sido a escolha mais sábia
enquanto o mundo me incomoda e me fere
enquanto eu revido o tempo todo, sem titubear
nunca antes esse título fez tanto sentido
'não hesite em odiar'

eu queria poder dormir e não sonhar nunca
memória gasta de uma mente que não desapega
qual desses vazios poderia ser maior?
pergunta tola
como se eu tivesse vivido tudo errado

nem cantar eu sei mais
parece que sumiram todas as letras e batidas
a energia
e eu não sei o que é
pior ainda;

não precisa ser nada e mesmo assim pode ser tudo.

13.1.18

dirty little secret

de manhã, abro os olhos e não consigo me levantar. lembro da nossa conversa fiada de madrugada, depois de chegarmos em nossas respectivas casas com várias cervejas na cabeça e você, instintivamente, me mandar uma mensagem puxando um assunto qualquer só para que nossa conexão não acabasse nunca. de imediato, meus dedos escorregam para baixo do lençol e é sem surpresa nenhuma que percebo que já estou toda molhada. me preencho, penso que sou tua, minhas coxas se lambuzam.

(a vontade tem me deixado maluca, é verdade.)

tiro uma foto da cama manchada de prazer e te envio dizendo que, agora sim, depois de ter estado com você em ideia entre as minhas pernas, meu dia finalmente começou.

10.1.18

if i made you blue, i've had heartaches too

(...) depois de tudo, o incômodo fez-se presente e deu voz à natureza da dúvida.

- você vai ficar?

a resposta veio silenciosa. ela o olhou nos olhos e tocou seus lábios; tentava calar o barulho que havia dentro de si.

1.12.17

o dia parece que vai amanhecer. mas é a noite para sempre.

depois de não conseguir mais dormir, mesmo tendo passado menos de quatro horas na cama, peguei aquele livro que gosto tanto - e que sempre tem um tapa na cara a me oferecer quando não estou sã - para reler. eu não lembrava, mas a dedicatória na contracapa era sua. ali dizia: "nós, até o fim".

não pude deixar de rir da ironia de um livro chamado 'hell' ter exatamente essa frase escrita logo no começo.